Imagem e semelhança

15 08 2010

Cada vez mais há pessoas que, ao invés de buscarem se tornar imagem e semelhança de Jesus, buscam fazer com que Deus seja imagem e semelhança delas mesmas.

O produto deste movimento nefasto, um Deus escravizador ao invés de libertador.





Nova Reforma?

10 08 2010
Foto de Eduardo Mano

Caso houvesse um Twitter apenas de cristãos, sem dúvida alguma entre os TTs desta semana estaria a matéria de capa da revista “Época” desta semana, de título “Os Novos Evangélicos”.

Assim como outras pessoas, considerei a reportagem bem interessante. No entanto, ela comete alguns exageros, como afirmar que acontece neste momento uma nova Reforma.

Na minha percepção, no contexto atual a espiritualidade ganha cada vez mais destaque e importância. Em contrapartida, as pessoas estão questionando cada vez mais as estruturas denominacionais e eclesiásticas. Creio que esta é uma tendência, que se concentra eminentemente em grandes centros urbanos, mas que se manifesta em locais e contextos diferentes e de forma heterogênea.

Imagino que estamos vivendo uma mudança de paradigma. Talvez passando de um paradigma bem definido, dado pelos “nossos pais na fé”, para um novo modelo que ainda não está bem definido, e talvez nunca o seja. Esta mudança de paradigma envolve basicamente a nossa cosmovisão cristã, e consequentemente a igreja e sua atuação no mundo. Porém, é fundamental perceber que muitas são as igrejas e denominações que ainda não atentaram para isto.

Neste novo paradigma algumas tendência podem ser observadas: Maior valorização dos relacionamentos, em detrimento de grandes eventos nos quais o participante é apenas mais um na multidão. A busca de uma experiência de fé que não fique apenas no plano do discurso, mas na qual a prática seja coerente com o mesmo. Florescimento de uma liderança leiga. “Desacralização” de elementos cúlticos.

Estas são percepções muito pessoais e ainda muito superficiais. Sem dúvida, voltarei ao assunto com mais calma nos próximos dias.





O grande inquisidor

3 08 2010

Em uma das passagens mais conhecidas de os “Irmãos Karamazov”, escritor pelo russo Fiódor Dostoiévski, Ivan narra a seu irmão Aliéksiei um texto chamado de “O grande inquisidor”.

Nesta narrativa, Jesus volta ao mundo. Porém, ao retornar ele não é acolhido pela igreja, mas preso pelos líderes da mesma.

A prisão se dá pelo fato de a volta de Jesus “atrapalhar” a dinâmica da igreja então existente, segundo as palavras de um bispo daquela instituição.

O fato é que já não havia mais espaço para um Jesus simples, que está próximo das pessoas e que tem como marca o amor e a graça. A hora era de uma igreja forte, que atuava como mediadora entre Deus e o homem e que possuía grande poder.

Olhando em volta, penso que se Jesus de reencarnasse hoje ele também seria preso e julgado por muitos que dizem ser seus servos.

Infelizmente, hoje assistimos à propagação cada vez mais desenfreada de um “evangelho” que nada tem de cristão.

Nele, ao invés da simplicidade, encontramos a pompa, ao invés da compaixão, a fleuma, ao invés da humildade, a arrogância, ao invés da santidade, o pecado, ao invés da fragilidade, o poder desenfreado.

Para mudar, basta quebrantar o coração, pois o coração quebrantado o Senhor não desprezarás (Salmo 51.17).





O direito de expressar a fé

6 07 2010

Geralmente não gosto de reproduzir textos de outras pessoas. Mas o que vem abaixo, de autoria do pastor Ariovaldo Ramos, é realmente muito bom.

De forma simples e direta ele comenta o episódio no qual um jornalista, Juca Kfouri, questionou o fato de o jogador Kaká expressar a sua fé. É coisa passada, mas o texto em questão dá pano para uma boa reflexão.

Ao Sr. Kfouri… o filho

Ariovaldo Ramos

Não é direito do ser humano, ter ou não ter fé?
E não é um direito explicar a vida a partir da fé?
Se perde, não é um direito buscar consolo na fé?
E se ganha, não é um direito atribuir a superação ao deus em que crê?
Se não há deus, por que a ira contra quem não existe?
Logo, é ira contra seres humanos no exercício do direito de explicar a sua vida, e atribuir a sua vitória a quem quer que seja.
E como eu saberia que o articulista não tem fé, se não o tivesse dito no espaço onde deveria falar de futebol?
E se alguém, ao ver a demonstração de fé dos atletas, decidir buscar essa fé, não lhe será um direito?
E se, ao ouvir o articulista, decidir pelo ateísmo, isso não lhe será um direito?
Por que essa celeuma sobre o que é apenas o exercício de direito?
O fato de eu não gostar de ouvir algo, não tira do outro o direito de falar.
O fato de eu não gostar de como alguém comemora os seus feitos, não lhe tira o direito de o fazer.
Direito: faça valer!








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