Em uma das passagens mais conhecidas de os “Irmãos Karamazov”, escritor pelo russo Fiódor Dostoiévski, Ivan narra a seu irmão Aliéksiei um texto chamado de “O grande inquisidor”.
Nesta narrativa, Jesus volta ao mundo. Porém, ao retornar ele não é acolhido pela igreja, mas preso pelos líderes da mesma.
A prisão se dá pelo fato de a volta de Jesus “atrapalhar” a dinâmica da igreja então existente, segundo as palavras de um bispo daquela instituição.
O fato é que já não havia mais espaço para um Jesus simples, que está próximo das pessoas e que tem como marca o amor e a graça. A hora era de uma igreja forte, que atuava como mediadora entre Deus e o homem e que possuía grande poder.
Olhando em volta, penso que se Jesus de reencarnasse hoje ele também seria preso e julgado por muitos que dizem ser seus servos.
Infelizmente, hoje assistimos à propagação cada vez mais desenfreada de um “evangelho” que nada tem de cristão.
Nele, ao invés da simplicidade, encontramos a pompa, ao invés da compaixão, a fleuma, ao invés da humildade, a arrogância, ao invés da santidade, o pecado, ao invés da fragilidade, o poder desenfreado.
Para mudar, basta quebrantar o coração, pois o coração quebrantado o Senhor não desprezarás (Salmo 51.17).

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