Atualmente não é necessário mais ser, basta parecer.
Decisão
30 01 2012É hora de voltar a escrever. E, agora, de forma mais constante e assumindo uma perspectiva mais positiva da vida.
Comentários : Deixar um comentário »
Categorias : pensamentos
Sobre a importância da experiência de fé comunitária na contemporaneidade
13 12 2011Durante parte da história da igreja cristã uma ideia comumente aceita foi a de que a legitimidade da experiência pessoal de fé deveria estar relacionada à vinculação a uma determinada instituição religiosa.
Contudo, na contemporaneidade este arranjo passa a ser questionado, e começa a ganhar força a percepção de que na experiência de fé a vinculação a uma instituição não é mais elemento fundamental, mas apenas acessório.
Esta mudança de percepção fica evidenciada em uma matéria pulicada na edição de 15 de agosto da “Folha de São Paulo”. Segundo a reportagem, sobre a Pesquisa de Orçamentos Familiares divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de evangélicos que afirmam não manter vínculo com qualquer igreja passou de 4% do total para 14%. Esta mudança teria ocorrido entre os anos de 2003 e 2009 e indicaria que o grupo de evangélicos sem igreja teve um aumento de 4 milhões de pessoas neste período.
Diante do apresentado surge a seguinte pergunta: O que leva a esta mudança de percepção quanto ao valor de vinculação a uma instituição religiosa?
Creio que pode-se buscar inúmeras explicações para dar conta deste fenômeno. Contudo, aqui irei optar por apenas um caminho, que pode servir de ponto de partida para uma reflexão mais complexa sobre esta instigante questão.
Uma ideia comumente aceita no âmbito das Ciências Humanas é a de que percepção de mundo dos seres humanos muda com o passar da história.
Se durante a pré-modernidade a igreja foi vista como a detentora das verdades relacionadas à experiência de fé, na modernidade a Ciência passou a ser a grande referência. Já no tempo presente (chamado de pós-modernidade por alguns, de modernidade tardia por outros, e por aí vão as nomenclaturas) as grandes narrativas de verdade perdem espaço em detrimento das micro narrativas estabelecidas pelos indivíduos.
Além disso, no tempo presente elementos como o prazer, o desejo e o consumo ganham status de valores fundamentais, enquanto as pessoas passam a assumir identidades múltiplas (mesmo que contraditórias entre si).
Considerando estes elementos gostaria de afirmar duas coisas. A primeira é que a igreja, no geral, ainda age como uma instituição pré-moderna junto a pessoas que possuem uma percepção de mundo completamente diferente. Assim, é fundamental que, ao invés de permanecer atrás de alguns muros, a igreja construa pontes para dialogar com as demandas do tempo presente e se tornar uma instituição cada vez mais relevante, principalmente entre os mais jovens, que já nasceram totalmente imersos neste “novo mundo”.
Contudo, além de estabelecer pontes, a igreja deve, como bem fala C. S. Lewis, “atrair os homens para Cristo, transformá-los em miniaturas de Cristo”. Num contexto como o atual, a igreja deve ser vista, acima de tudo, como o espaço de edificação constante do Corpo de Cristo, de forma que seus membros possam ser capacitados a viverem os valores de Jesus não apenas aos domingos e em determinados espaços, mas em todos os lugares, momentos e situações da vida contemporânea.
Creio que a pouca valorização dada à igreja (instituição) por alguns indivíduos é produto justamente de uma percepção de que este espaço não oferece contribuições valiosas para se viver nos dias de hoje.
Contudo, isto é uma falácia, e, se ocorre, é fundamental que a igreja realize um autoexame, pois a experiência de fé proposta por Cristo não pode prescindir de sua esfera comunitária, fonte de aprendizado e capacitação.
É fato que esta é uma situação complexa. Entretanto, espero que esta curta reflexão possa servir de contribuição na buscar de uma prática eclesiástica que possa ser verdadeiramente relevante para o tempo presente.
Comentários : Deixar um comentário »
Categorias : contemporaneidade, igreja, vida cristã
Cristianismo, consumo e ética
7 12 2011Durante uma conversa despretensiosa que tive com um amigo há algum tempo uma ideia me veio à mente: Muitas igrejas cristãs contemporâneas têm o consumo como fundamento.
É bem verdade que Max Weber, em “A ética protestante e o espírito do Capitalismo”, já indicou como este sistema social e econômico encontrou no Protestantismo um contexto adequado para o seu melhor desenvolvimento. Aqui não vem ao caso elencar as razões para este fenômeno.
Contudo, não é a esta relação que me refiro no início. Penso que a prática de muitas igrejas cristãs contemporâneas tem o consumo como elemento fundamental.
Antes de tudo é necessário destacar o fato de que o Cristianismo primitivo não tem a aquisição de bens – materiais ou simbólicos – como um de seus pressupostos – inclusive é interessante destacar que Weber afirma que o estilo de vida ascético dos primeiros protestantes foi elemento importante para o desenvolvimento do então nascente Capitalismo.
Além disso, quando se levam em consideração as falas de Jesus registradas na Bíblia fica ainda mais evidente que a proposta que Ele traz a seus seguidores é a de uma vida em constante tensão. Enquanto aguarda por uma nova existência na qual terá a sua relação com Deus totalmente restaurada, o ser humano deve buscar, aqui e agora, uma vida pautada nos valores do Reino de Deus.
Segundo a ética – no sentido de princípios que conduzem o ser humano – proposta por Cristo, a posse e a acumulação de bens não deve ter importância central na existência humana. Considerando especificamente a sociedade atual – marcada, segundo pensadores como Jean Baudrillard e Zygmunt Bauman, pelo consumo extremado –, a proposta de Cristo deveria ser uma espécie de contracultura.
No entanto, um olhar atento permite concluir que é justamente o contrário que muitas igrejas cristãs contemporâneas têm feito: Ao invés de se tornarem promotores dos valores do Reino estão tentando se adequar às demandas de um público cada vez mais ávido pelo consumo.
Isso me leva a meu pensamento inicial: Muitas igrejas cristãs contemporâneas têm o consumo como fundamento, pois a sua ética não é mais a de Jesus. Certamente o tempo há de mostrar quais as consequências de uma falha tão grave.
Comentários : Deixar um comentário »
Categorias : cristianismo, sociedade
O que já falaram